Infoproduto low-ticket: o que é e como criar o seu

Infoproduto low-ticket: o que é e como criar o seu

A Renata tinha um emprego CLT, duas horas de ônibus por dia e uma planilha de organização financeira que ela usava há três anos. Num domingo à tarde, transformou essa planilha num produto digital de R$27. Em 45 dias, vendeu 214 unidades. Fez R$5.778 — mais que seu salário mensal.

Ela não tinha audiência, não gravou vídeo e não gastou com anúncio.

Se você acha que vender barato não compensa, a matemática vai te provar o contrário. E é exatamente isso que este guia vai te mostrar: o que é um infoproduto low-ticket, quanto cobrar, como criar o seu do zero e como escalar com funil para ganhar mais sem trabalhar mais.

Aqui você vai encontrar números reais, exemplos práticos e um passo a passo que funciona mesmo sem experiência.

O que é um infoproduto low-ticket

Um infoproduto low-ticket é um produto digital vendido por um preço baixo — geralmente entre R$7 e R$97. Pode ser um ebook, uma planilha, um template, um mini-curso ou qualquer material digital que resolva um problema específico do comprador.

O “low-ticket” não se refere à qualidade. Se refere à estratégia de preço. A ideia é simples: cobrar pouco, vender muito e usar esse produto como porta de entrada para ofertas maiores.

No Brasil, a faixa mais praticada fica entre R$17 e R$47. Esse é o ponto onde a decisão de compra acontece rápido — o comprador não precisa pensar duas vezes, consultar o cônjuge ou esperar o salário cair.

Por que funciona

O modelo low-ticket funciona por três motivos:

  1. Baixa barreira de entrada — o preço não gera objeção. R$27 é menos que um almoço em restaurante.
  2. Decisão rápida — enquanto um curso de R$997 leva semanas para ser considerado, um produto de R$37 pode ser comprado em minutos.
  3. Volume compensa margem — você não precisa de uma venda de R$2.000. Precisa de 200 vendas de R$27.

Se você quer entender melhor o universo dos produtos digitais antes de criar o seu, veja nosso guia sobre o que é infoproduto.

A matemática do infoproduto low-ticket

Aqui é onde a maioria dos artigos para. Falam que “low-ticket compensa pelo volume” mas não mostram os números. Vou te mostrar.

Cenário 1: produto de R$27

Vendas/mêsFaturamentoTaxa plataforma (~8%)Lucro líquido
50R$1.350R$108R$1.242
100R$2.700R$216R$2.484
200R$5.400R$432R$4.968
500R$13.500R$1.080R$12.420

Cenário 2: produto de R$47

Vendas/mêsFaturamentoTaxa plataforma (~8%)Lucro líquido
50R$2.350R$188R$2.162
100R$4.700R$376R$4.324
200R$9.400R$752R$8.648
500R$23.500R$1.880R$21.620

Agora adicione um upsell. Se 20% dos compradores aceitam um produto de R$97 no checkout, o cenário muda:

100 vendas de R$47 + 20 upsells de R$97:

  • Faturamento: R$4.700 + R$1.940 = R$6.640
  • Ticket médio sobe de R$47 para R$66,40

Essa é a matemática do low-ticket. Você não precisa de um produto caro. Precisa de volume e de um funil que aumente o ticket médio.

Quanto precisa vender por dia

Para faturar R$5.000/mês com um produto de R$47:

  • R$5.000 / R$47 = 107 vendas/mês
  • 107 / 30 = ~3,5 vendas por dia

Três vendas e meia por dia. Com uma boa página de vendas e tráfego orgânico, é um número realista.

Vantagens do modelo low-ticket

1. Sem objeção de preço

Ninguém precisa “pensar” para gastar R$27. É um café com bolo. Isso reduz a fricção de compra e aumenta a taxa de conversão — que no low-ticket fica entre 2% e 5%, podendo chegar a 10% em nichos bem segmentados.

2. Valida antes de escalar

Antes de gastar meses criando um curso de R$997, lance um ebook de R$27 sobre o mesmo tema. Se vender, você confirmou que o público quer aquilo. Se não vender, você perdeu uma semana — não seis meses.

3. Constrói base de clientes

Todo comprador de R$27 vira um lead qualificado. Ele já colocou o cartão, já confiou em você. Vender o próximo produto para ele é muito mais fácil do que conquistar um cliente novo.

4. Funciona com tráfego orgânico

Produtos caros precisam de tráfego pago pesado e funis sofisticados. Um low-ticket pode vender com um artigo bem posicionado no Google, um post no Pinterest ou um reels no Instagram.

5. Risco zero para começar

Criar um ebook ou template não custa nada além do seu tempo. Você pode usar o Canva, Google Docs e uma conta gratuita na Kiwify. Investimento inicial: R$0.

Low-ticket vs high-ticket: quando usar cada um

O Marcos vendia uma mentoria de R$2.000 e fechava, em média, dois clientes por mês. Faturamento: R$4.000. Quando lançou um ebook de R$37 como entrada do funil, passou a vender 150 unidades por mês — R$5.550 só no ebook, mais os clientes de mentoria que vinham do ebook.

Não é sobre escolher um ou outro. É sobre entender quando cada modelo faz sentido.

CritérioLow-ticket (R$7–R$97)High-ticket (R$500+)
Decisão do compradorRápida (minutos)Lenta (dias/semanas)
Volume necessárioAlto (dezenas a centenas)Baixo (poucos por mês)
Tráfego necessárioOrgânico funcionaGeralmente pago
Complexidade de criaçãoBaixaAlta
Suporte ao clienteMínimoIntensivo
Ideal paraIniciantes, validaçãoExperts com audiência
Margem por vendaBaixaAlta

Use low-ticket quando:

  • Está começando e quer validar um nicho
  • Não tem audiência grande ainda
  • Quer gerar caixa rápido com baixo risco
  • Quer construir uma base de compradores para vender mais depois

Use high-ticket quando:

  • Já tem autoridade e provas sociais
  • Pode oferecer acompanhamento individual
  • Tem um funil de vendas maduro com tráfego consistente

O ideal? Comece com low-ticket, construa sua base e lance o high-ticket depois — para quem já comprou de você.

Exemplos de infoprodutos low-ticket que vendem

Se você está pensando “mas o que eu venderia?”, aqui vão exemplos reais de produtos que funcionam bem no modelo low-ticket:

1. Ebooks (R$17–R$47)

  • “Como sair do vermelho em 30 dias” — finanças pessoais
  • “Guia de alimentação low-carb para quem trabalha fora” — saúde
  • “Como montar um portfólio de freelancer do zero” — carreira

O ebook é o formato mais simples de criar. Se você sabe escrever, consegue fazer um em uma semana usando Google Docs e Canva. Veja nosso guia completo sobre como criar um ebook.

2. Templates e planilhas (R$17–R$37)

  • Planilha de controle financeiro para autônomos
  • Templates de stories para Instagram (Canva)
  • Planilha de planejamento de conteúdo semanal

Templates vendem bem porque entregam resultado imediato. O comprador baixa, personaliza e usa no mesmo dia.

3. Mini-cursos (R$37–R$97)

  • “Como editar vídeos no CapCut em 2 horas” — 5 aulas curtas
  • “Canva para empreendedores” — 8 aulas de 10 minutos
  • “Introdução ao tráfego orgânico no Pinterest” — 6 aulas

Mini-cursos têm percepção de valor maior que ebooks e justificam preços na faixa de R$47 a R$97. Você pode gravar pelo celular e editar no CapCut. Confira nosso passo a passo de como criar um mini-curso online.

4. Checklists e guias rápidos (R$7–R$17)

  • Checklist de lançamento de produto digital
  • Guia rápido de SEO para iniciantes
  • Roteiro de stories que vendem

Esses formatos funcionam como isca ou como order bump — aquele produto extra oferecido no checkout.

5. Packs e kits digitais (R$27–R$67)

  • Pack de 50 legendas prontas para Instagram
  • Kit de templates de página de vendas
  • Pack de prompts de IA para criação de conteúdo

Packs funcionam bem porque o comprador percebe volume. “50 templates por R$37” soa como uma pechincha.

Como criar seu primeiro infoproduto low-ticket

A Juliana é nutricionista e nunca tinha vendido nada online. Em um fim de semana, criou um ebook de 22 páginas com cardápio semanal low-carb, publicou na Kiwify por R$19 e compartilhou no seu WhatsApp pessoal. Na primeira semana, vendeu 34 unidades. Não foi um lançamento — foi um teste.

Siga este passo a passo:

Passo 1: escolha um problema específico

Não crie um produto sobre “marketing digital”. Crie sobre “como fazer seu primeiro reels viralizar”. Quanto mais específico o problema, mais fácil de vender.

Pergunte a si mesmo:

  • Qual problema eu já resolvi na minha vida ou carreira?
  • O que as pessoas ao meu redor me pedem ajuda com frequência?
  • Que habilidade eu tenho que alguém pagaria R$27 para aprender?

Passo 2: defina o formato

Escolha o formato mais simples para o problema que você quer resolver:

  • Ebook/PDF — se a solução é explicativa (passo a passo, guia)
  • Planilha/template — se a solução é uma ferramenta prática
  • Mini-curso — se a solução precisa de demonstração visual

Para o primeiro produto, recomendo ebook ou template. É mais rápido de criar e não exige gravar vídeo.

Passo 3: crie o conteúdo

Para ebooks: escreva no Google Docs, depois formate no Canva. De 15 a 40 páginas é o ideal para low-ticket.

Para templates: crie no Canva, Google Sheets ou Notion e exporte.

Para mini-cursos: grave com o celular, edite no CapCut e organize em 4 a 8 aulas curtas (5 a 15 minutos cada).

Não busque perfeição. Busque utilidade. Um produto imperfeito que resolve um problema vende mais do que um produto bonito que não resolve nada.

Passo 4: defina o preço

Os preços que convertem melhor no mercado brasileiro para low-ticket:

  • R$17 — compra por impulso, ótimo para primeiro produto
  • R$27 — equilíbrio entre acessibilidade e receita
  • R$47 — percepção de mais valor, ideal com prova social
  • R$67–R$97 — para mini-cursos ou packs com mais conteúdo

Dica: comece com R$27 ou R$37. É o ponto onde o comprador não hesita e você ainda tem margem boa.

Passo 5: publique na plataforma

Escolha uma plataforma para hospedar e vender:

PlataformaTaxa por vendaMelhor para
Kiwify7,99%Iniciantes — interface simples
Hotmart9,9% + R$1Quem quer rede de afiliados
Eduzz8,5%Alternativa com bom suporte

Para um guia detalhado de como publicar, veja como vender no Hotmart — o processo é similar em todas as plataformas.

Passo 6: crie uma página de vendas simples

Sua página de vendas precisa de:

  1. Headline com o benefício principal
  2. O problema que seu produto resolve
  3. O que o comprador vai receber (lista clara)
  4. Preço com botão de compra
  5. Garantia — 7 dias é o padrão

Não precisa ser sofisticada. O Kiwify e o Hotmart oferecem página de vendas nativa — comece com ela.

Passo 7: divulgue

Sem audiência, comece por aqui:

  • WhatsApp pessoal — compartilhe com contatos que se encaixam no perfil
  • Grupos do Facebook — participe de grupos do nicho (sem spam)
  • Pinterest — crie pins que levem à página de vendas
  • Blog com SEO — artigos que ranqueiam no Google e atraem compradores todo dia

O tráfego orgânico é a melhor fonte para low-ticket porque não tem custo variável. Cada visitante que chega pelo Google é gratuito.

Como escalar com funil de vendas e upsell

Vender o produto principal é só o começo. O faturamento real do low-ticket vem do funil.

O que é um funil low-ticket

Um funil low-ticket é a sequência de ofertas que o comprador vê após decidir comprar. A estrutura básica:

  1. Produto principal (R$27–R$47) — o que atraiu o comprador
  2. Order bump (R$17–R$37) — produto complementar oferecido no checkout, antes do pagamento
  3. Upsell (R$67–R$197) — oferta premium na página de obrigado, logo após a compra
  4. Downsell (R$37–R$67) — versão mais barata do upsell, caso o comprador recuse

Exemplo prático de funil

Imagine que você vende um ebook “Como criar reels que vendem” por R$37:

  • Order bump: Pack de 30 scripts prontos de reels — R$27
  • Upsell: Mini-curso “Reels Pro: do roteiro à edição” — R$97
  • Downsell: Só o módulo de edição do mini-curso — R$47

Se 100 pessoas compram o ebook:

  • 100 x R$37 = R$3.700
  • 30% aceitam o order bump: 30 x R$27 = R$810
  • 20% aceitam o upsell: 20 x R$97 = R$1.940
  • 10% que recusaram o upsell aceitam o downsell: 5 x R$47 = R$235

Faturamento total: R$6.685 — quase o dobro do que seria só com o produto principal.

O ticket médio saiu de R$37 para R$66,85 por comprador. Isso muda tudo.

Tanto o Hotmart quanto o Kiwify permitem configurar order bump e upsell de forma nativa. Não precisa de ferramenta externa.

5 erros comuns no low-ticket (e como evitar)

1. Criar produto genérico demais

“Guia de marketing digital” não vende. “Como conseguir seus primeiros 1.000 seguidores no Instagram em 30 dias” vende. Quanto mais específico o problema, maior a conversão.

2. Não ter funil

Vender só o produto principal por R$27 e parar ali é deixar dinheiro na mesa. O order bump e o upsell podem dobrar ou triplicar seu faturamento sem tráfego extra.

3. Precificar errado

Cobrar R$7 por um ebook de 40 páginas desvaloriza seu trabalho. Cobrar R$197 sem prova social assusta. Comece entre R$27 e R$47 — é o ponto ideal para quem está começando.

4. Esperar perfeição

O ebook não precisa ter design de revista. O mini-curso não precisa ter iluminação de estúdio. Precisa resolver o problema. Lance, colete feedback e melhore depois.

5. Não coletar email do comprador

Todo comprador é um lead. Se você não tem o email dele, perdeu a chance de vender outros produtos no futuro. Configure automação de email desde o primeiro dia.

Próximos passos: crie seu low-ticket esta semana

Você não precisa de meses de planejamento. Precisa de ação.

Aqui está o que fazer agora:

  1. Hoje: escolha o problema que vai resolver e o formato do produto
  2. Amanhã: crie o conteúdo (ebook, template ou mini-curso)
  3. Dia 3: publique na Kiwify ou Hotmart e configure a página de vendas
  4. Dia 4: compartilhe com seus contatos e em grupos relevantes
  5. Semana 2: analise as primeiras vendas e adicione order bump

O infoproduto low-ticket não é um produto “menor”. É a base de um negócio digital que pode escalar sem depender de anúncios caros, equipes grandes ou audiências massivas.

Comece com um produto simples. Venda para as primeiras 50 pessoas. Use o feedback para melhorar. E depois monte o funil que multiplica cada venda.

Se ainda não sabe sobre o que criar, explore nosso guia sobre como criar um ebook ou como montar um mini-curso online. Ambos te dão o passo a passo completo para sair do zero.

Perguntas frequentes

O que é produto low-ticket?

Produto low-ticket é qualquer produto vendido por um preço baixo, geralmente entre R$7 e R$97. No contexto de infoprodutos, inclui ebooks, templates, planilhas e mini-cursos. O objetivo é vender em volume alto com decisão de compra rápida.

Quanto é considerado low-ticket no Brasil?

No mercado brasileiro, a faixa de preço mais comum para low-ticket vai de R$17 a R$47, com produtos chegando até R$97. Acima disso, já entra na categoria de mid-ticket.

Vale a pena vender produtos low-ticket?

Sim. 100 vendas de R$47 geram R$4.700 por mês. Com um funil que inclui order bump e upsell, esse valor pode dobrar. O low-ticket é especialmente vantajoso para quem está começando porque não exige audiência grande nem investimento em tráfego pago.

Como escalar vendas de low-ticket?

Escale com três frentes: tráfego orgânico (SEO, Pinterest, redes sociais), funil de vendas (order bump + upsell + email marketing) e afiliados (outros produtores divulgando seu produto em troca de comissão). O volume é o motor do low-ticket.